9/08/2006

Palavra de Mulher
Chico Buarque

Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar para trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar

Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor eu, vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar

Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera
Espera
Me espera
Eu vou voltar

8/31/2006

Um Cão Andaluz (Un Chien Andalou / Andalusian Dog)

O youtube está disponibilizando um dos mais clássicos filmes surrealistas de todos os tempos.
"Un Chien Andalou" é dirigido por Luis Buñuel e data de 1928.
Enjoy, people!

8/21/2006

Dear Wendy

Estive pensando em Lars Von Trier. Um ótimo diretor, e que sem dúvida nenhuma tem um estilo próprio que já pode ser considerado inimitável. Mas que perspectivas estão em jogo em questão de crescimento e evolução de linguagem?
Depois de ver "Querida Wendy", um ponto de interrogação pairou sobre a minha cabeça. Esse foi um filme produzido entre "Dogville" e "Manderlay", dois filmes que fazem parte de uma trilogia. Era muito provável que Lars absorvesse algo do tema de seu filme anterior. Isso pode ser observado no cenário por exemplo, que apesar de não ser de forma teatral como em "Dogville", também se trata de uma cidade provinciana e atrasada. Outras semelhanças são a forma de como o filme é narrado e pela maneira que o assunto é tratado, e seus prováveis desfechos.
Isso não seria um problema, até poderia caracterizar uma personalidade ainda mais forte para o diretor, se não fosse a repetição.
Para deixar a coisa mais clara... Lars faz filmes independentes (na forma literal) para pessoas que estão o assistindo pela primeira vez. "Dançando no Escuro" é uma obra-prima para quem nunca viu nenhum filme do diretor. Há surpresa em cada close, suspense em cada música... A raiva que nos corroe toda vez que assistimos a uma cena de traição! E ao mesmo tempo que faz filmes independentes, algo entre suas produções se relaciona, há um laço, um traço "Trier" em cada cena, que é lindo, maravilhoso, estupendo... Até assistirmos a pelo menos quatro filmes dele. Para mim, o quinto foi "Querida Wendy". Desfechos previsíveis demais, cópias e cópias da própria genialidade!
Vamos esperar o que vem por aí. Se Lars conseguir me fazer chorar novamente como na última cena de "Dançando no Escuro", ou se trouxer novamente a inovação da minha primeira vez que vi um filme como "Dogville", posso retirar tudinho que disse aqui e colocar uma coroa de espinhos. ;)



Querida Wendy, de Lars Von Trier
Drama - Dinamarca/França/Alemanha/Inglaterra - 2005 - Com Jamie Bell e Bill Pullman
Cotação: ★ ★ ★
Sinopse e mais informações: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/querida-wendy/querida-wendy.htm

7/29/2006

Viver a vida, de Godard

Antes que eu comece a escrever qualquer coisa sobre "Viver a Vida", gostaria de fazer um comentário sobre Anna Karina. Suei frio quando vi pela primeira vez o espectro (eu, míope) daquela mulher. É de uma beleza de se desmaiar, e uma inveja branca, quase.
Pronto.
Esse foi meu primeiro filme do Godard. Acho que vou à loucura se conseguir um dia assistir "Acossado" (Hei de conseguir!). Esse cara é tão à frente de tudo o que eu vi do seu tempo que fiquei com o queixo lá em baixo. Ele tem uma sutileza e um mistério que... ah, se fosse seda eu rasgaria.
Primeiro, o filme é "capitulado". Que delícia de assistir, vontade que fosse eterno.
Segundo, sutileza de atordoar (Estou sendo repetitiva demais? É esse o objetivo).
Terceiro, o tiro até doeu em mim!
Quarto, múúúúsica, ai meu deus, até arrepiei, viu?
Quinto, DREYER !!!!!!!!!!!!
Bom, depois disso eu não preciso dizer mais nada. Esse filme é pra ver quatrilhões de vezes e nunca enjoar.


Comentário Rápido: "Uma Noite Alucinante" (Evil Dead 2), de Sam Raimi. Combina com coca-cola, pipoca de microondas, domingo e pode se preparar pra rir mais do que em qualquer comédia (só não exagere na pipoca porque pode dar revertério!)


Adiós, muchachos (?)

7/25/2006

well, come

"Sobre a tela estendida, sobre o plano sempre puro onde nem a vida nem o próprio sangue jamais deixam traços, os acontecimentos mais complexos se reproduzem quantas vezes se quiser. As ações são aceleradas ou retardadas. A ordem dos fatos é reversível. Os mortos revivem e riem. (...) Vemos a precisão do real revestir todos os atributos do sonho. É um sonho artificial. É também uma memória exterior, e dotada de uma perfeição mecânica. Enfim, graças às imobilizações e aos aumentos, a própria atenção se fixa. Minha alma divide-se por tais encantos. Ela se projeta na tela onipotente e movimentada; participa das paixões dos fantasmas ali se produzem. (...) Ms o outro efeito dessas imagens é mais estranho. Essa facilidade critica a vida. O que valem a partir de agora essas ações e emoções de que vejo as trocas, e a monótona diversidade? Não tenho mais vontade de viver, pois isso é apenas aparência. Sei o porvir de cor" - (Paul Valéry)






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